Como provar um vinho


Tudo começa com a pergunta: “quem é que prova o vinho?”, feita pelo empregado de mesa. Pensamos, “Lá vou eu fingir que sei o que estou a fazer, agitar o copo no ar e habilitar-me a entornar metade, levar o copo ao nariz e eventualmente finalizar o número fazendo uma cara à la Robert de Niro, em sinal de aprovação.” Veredicto: o vinho tinha rolha e eu nem dei por isso, está na altura de aprender como provar um vinho.

 

 

 

Saber como provar um vinho, é fundamental para poder desfrutar de todo o seu potencial. A prova é o momento que nos permite descobrir os vinhos de que mais gostamos e quais estão ou não em condições de serem bebidos.

 

Vamos abordar 2 tipos de provas:

  1. A prova de conformidade de um vinho
  2. A prova de apreciação de um vinho

 

PROVA DE CONFORMIDADE DE UM VINHO

É o tipo de prova que responde à pergunta: “está bebível ou não?”, e acontece sempre que abrimos uma garrafa – em casa ou num restaurante.

Num restaurante, devemos seguir os seguintes passos:

  1. Rótulo: olhar para o rótulo e confirmar que se trata do vinho pedido;
  2. Garrafa fechada: o empregado deverá abrir a garrafa à frente do cliente, tanto por cortesia, mas principalmente para garantir que o conteúdo é o escolhido;
  3. Rolha: alguns restaurantes poderão oferecer a rolha para verificação do cheiro ou simplesmente como recordação;
  4. Observar o vinho: o empregado irá servir um pouco de vinho. O cliente deve pegar no copo pela haste, levantá-lo à luz, abanar em círculo e verificar se o vinho não traz sedimentos de rolha nem apresenta um tom demasiado turvo ou escurecido;
  5. Cheirar o vinho: O cliente deve pegar no copo de modo a que a borda mais distante da boca toque na cana do nariz. Caso sinta um aroma a vinagre ou a mofo, algo está mal e deve informar o empregado;
  6. Provar o vinho: É neste momento que o cliente deve ter em conta, além do sabor, a temperatura do vinho – não queremos brancos congelados nem tintos escaldados.

Em casa devemos fazer o mesmo processo, mas neste caso só nos podemos culpar a nós próprios se a temperatura do vinho estiver errada.

 

Se seguir estes passos dificilmente vai beber um vinho que não esteja em condições. Agora é preciso aprender a provar para apreciar.

 

PROVA DE APRECIAÇÃO DE UM VINHO

Este tipo de prova já requer mais algum conhecimento. No entanto, não é preciso ser um profissional para a fazer.

Se aprecia vinhos, se pretende compreender e comparar vinhos, este tipo de prova vai tornar-se quase como um hobby.

Vamos recorrer a 3 dos 5 sentidos – a visão, o olfato e o paladar.

A prova deve ser feita num copo incolor, transparente, de vidro fino e de pé alto. Devemos sempre segurar o copo pela haste, pois evita que o vinho aqueça e facilita a observação do líquido. Quanto à temperatura dos vinhos: os brancos devem ser servidos geralmente entre os 10ºC e 12ºC e os tintos entre os 16º e 18ºC.

Garantidas estas condições comecemos a prova:

 

como provar um vinho

 

1.      O aspeto e a cor

O primeiro dos sentidos usados na prova é a visão: serve para avaliar o aspeto e a cor do vinho. Se estiver límpido e não tiver partículas em suspensão é, em princípio, um vinho saudável. Se estiver turvo poderá ter problemas, que poderão ser posteriormente detetados através da análise dos aromas e do gosto.

A cor é outro dos parâmetros de caracterização do vinho, ainda que mais subjetiva. Têm influência o terroir, a origem, a casta e o envelhecimento do vinho, por exemplo.

O que podemos entender através da cor?

Podemos tentar entender que tipo de corpo o vinho tem ou a sua idade.

Por exemplo, normalmente, os brancos de cor mais delicada e tom mais esverdeado têm a sua origem em zonas mais frias. Em princípio são pouco encorpados, elegantes e de acidez elevada. Os de tonalidades mais marcadas e cor amarelada são produzidos em zonas mais quentes, apresentando-se, em geral, mais encorpados e maduros. Ainda assim, dependendo da forma como o vinho foi produzido tudo isto pode não se verificar.

Quanto ao envelhecimento, os vinhos vão mudando a sua cor com o tempo. Pode começar nos tons palha ou citrinos dos brancos mais jovens, até às tonalidades mais douradas dos menos jovens. Já os tintos mais novos mostram uma cor intensa –  violeta, rubi ou encarnada – que vai ganhando tons carmim, de tijolo e acastanhados com o passar dos anos.

Na fase da prova propriamente dita todas estas suspeitas confirmar-se-ão… ou não.

 

2.      O aroma

Devemos sempre cheirar o vinho antes de o agitar, uma vez que há aromas que se libertam mais rapidamente do que outros nos vinhos. Só depois devemos agitar, de forma circular, para espalhar o vinho e contribuir para uma libertação homogénea das moléculas aromáticas mais pesadas.

É aqui que entra a memória olfativa. Assim como memorizamos sabores, conseguimos memorizar aromas também. É esta memória que nos vai permitir, com a experiência, começar a “arrumar” os vinhos em categorias, famílias, e ajuda-nos a entender melhor, por aproximação, quais as particularidades de cada vinho.

 O truque reside em ter gosto por treinar o nariz, o olfato, memorizar cheiros que podemos encontrar nos vinhos. Podíamos complicar falando em aromas primários, secundários e terciários, ou bouquet, mas cada coisa a seu tempo.

De uma forma genérica, o conjunto dos aromas de cada vinho indica a sua origem, a sua colheita, as castas usadas na sua produção, a forma como foi vinificado e estagiado. O grande desafio reside em ter a capacidade de identificar e interpretar isso tudo através do olfato. Há quem consiga, mas esse não é o nosso objetivo por agora.

No dia em que conseguir distinguir as notas de frutos pretos como cassis, amoras ou framboesas ou as notas de frutos vermelhos como cerejas ou morangos nos tintos mais jovens, pode dar-se por muito satisfeito.

 

3.      O sabor

O nosso paladar vai confirmar ou não as conclusões a que chegámos com a nossa visão e olfato. E como fazemos isso? Simples. Introduzimos uma pequena quantidade de vinho e fazemo-lo circular em toda a boca – isto vai permitir detetar todos os sabores primários: doce, salgado, ácido e amargo. Se conseguir (e sem se cuspir, que as nódoas são difíceis de tirar), sorva ao mesmo tempo um pouco de ar, para ajudar a libertar aromas que podem ser sentidos via retronasal.

O que estamos à procura de avaliar aqui?

Na ponta da língua vamos identificar o teor de açúcar residual. Resulta do processo de vinificação e das castas usadas para produzir o vinho.

Na parte lateral da língua vamos identificar a acidez. Mais intensa normalmente nos vinhos brancos do que nos tintos. Ainda assim o terroir de origem dos vinhos tem grande influência neste ponto. Por exemplo, os nossos vinhos do Monte da Ravasqueira, graças às grandes amplitudes térmicas sentidas na região, à água que circunda a vinha e à influencia marítima, expressam-se com uma grande acidez, muito característica daquele terroir. A acidez é típica em vinhos de mineralidade elevada que está associada a um clima mais comum no litoral.

Já o amargo deve-se, essencialmente, às características das castas ou à madeira onde o vinho estagiou.

No seu conjunto, todos estes fatores podem ser avaliados por si só durante a prova. Mas a qualidade do vinho resulta do “bem cozinhar” destas características.

 

como provar um vinho

 

Agora sim, estamos em condições de dizer que sabemos como provar um vinho.

Podemo-nos chegar à frente para provar o vinho da próxima vez que formos jantar fora ou mesmo organizar uma pequena prova entre amigos em casa.

 

 

Comece por uma prova de vinhos tintos do Monte da Ravasqueira.

como provar um vinhocomo provar um vinhocomo provar um vinhocomo provar um vinhocomo provar um vinho