O que torna o vinho português único?


Durante décadas ou séculos todos atribuímos aos franceses e aos italianos o titulo de melhores produtores de vinho mundial. Nos últimos anos vemos outros países a emergir como os Estados Unidos, Chile, Espanha, Austrália e claro… Portugal.

Mas o que torna este nosso pequeno país, uma potencia mundial nos vinhos? Para descobrir temos de andar para trás no tempo e explorar uma historia que tem mais de 4 000 anos.

 

2 000 anos a.C.; séc.X a.C.- séc.II a.C.
Reino de Tartessos; Fenícios e Gregos; Celtas e Iberos

Diz-se que a vinha terá sido cultivada pela primeira vez na Península Ibérica (vale do Tejo e Sado), cerca de 2 000 anos a.C. pelos Tartessos. O vinho era um dos produtos utilizados como moeda de troca no negocio de metais.

Mais tarde, os Fenícios terão trazido algumas castas de videiras para a Lusitânia. Seguiram-se os Gregos no século VII a.C. Alguns autores referem que Ulisses, ao fundar a cidade de Lisboa (a que deu o nome de Ulisseia ou Olisipo) seguiu o costume usado nas suas viagens, oferecendo vinho para festejarem com ele as boas vindas.

 

Séc.II a.C. a Século VII d.C.
Romanos e Povos Bárbaros

Nesta época, a cultura da vinha teve um desenvolvimento considerável, dada a necessidade de enviar frequentemente vinho para Roma, onde o consumo aumentava e a produção própria não satisfazia a procura. Seguiram-se as invasões bárbaras, passando-se do paganismo à adopção do Cristianismo. Nesta época, o vinho torna-se indispensável para o sacramento da comunhão. Os documentos canónicos da época evidenciam a “obrigatoriedade” da utilização do vinho genuíno da videira na celebração da missa.

 

Século VIII a XII
Alta Idade Média – Invasão dos Árabes

O Corão proibia o consumo de bebidas fermentadas, onde o vinho se inclui. No entanto, o emir de Córdoba que governava a Lusitânia, mostrou-se tolerante para com os cristãos, não proibindo a cultura da vinha nem a produção de vinho.

 

Século XII a XIV
Baixa Idade Média

Entre os séculos XII e XIII, o vinho constituiu o principal produto exportado, passou a fazer parte da dieta do homem medieval começando a ter algum significado nos rendimentos dos senhores feudais. No entanto, muita da sua importância provinha também do seu papel nas cerimónias religiosas. Daí o interesse dos clérigos, igrejas e mosteiros pela cultura da vinha.

Os vinhos de Portugal começaram a ser conhecidos no norte da Europa. Consta que o Duque de Lencastre, após o seu desembarque na Galiza, quando veio a Portugal em auxílio de D. João I na luta contra Castela, conhecendo já a fama dos nossos vinhos, mostrou desejo de provar o vinho de Ribadavia, tendo-o achado “muito forte e fogoso”.

 

Século XV – XVII
Idade Moderna – Renascimento

Nos séculos. XV e XVI, no período da expansão portuguesa, as naus e galeões que partiram em direção à Índia, entre outros produtos, vinho. Sabe o que eram os vinhos de “Roda” ou de “Torna Viagem”? As viagens demoravam, normalmente, cerca de seis meses. Nesse período, os vinhos viajavam nas naus como lastro e mantinham-se as barricas, espalhadas pelos porões, sacudidas pelo balancear das ondas, ou expostos ao sol, ou por vezes até submersas na água no fundo dos navios. Diz se que este vinho era excecional. O vinho de “roda” ou de “torna viagem” veio assim facultar o conhecimento empírico de um certo tipo de envelhecimento, cujas técnicas científicas se viriam a desenvolver posteriormente.

 

Século XVIII a XX
Idade Contemporânea

Em 1703, Portugal e a Inglaterra assinaram o Tratado de Methwen, onde as trocas comerciais entre os dois países foram regulamentadas. Ficou estabelecido um regime especial para a entrada dos vinhos portugueses em Inglaterra. A exportação de vinho conheceu então um novo incremento.

século XIX foi um período negro para a vitivinicultura. A praga da filoxera, que apareceu inicialmente na região do Douro em 1865, rapidamente se espalhou por todo o país, devastando a maior parte das regiões vinícolas. Colares foi a única exceção, porque a filoxera não se desenvolve nos solos de areia, onde as suas vinhas se cultivam ainda hoje.

A solução para a praga surgiu em França quando dois viticultores franceses, sugeriram a possibilidade de que a variedade de videira vinifera podia ser enxertada em porta-enxertos de videiras americanas, resistentes à murchidão causada pela filoxera.

O método foi testado e bem sucedido. Tal solução dividiu a indústria vinícola, havendo os “químicos” que rejeitavam a solução do enxerto e defendiam o uso de produtos químicos e pesticidas. Os que defendiam a teoria do enxerto ficaram conhecidos como “Americanistas” ou “mercadores de madeira”. Porém, com o sucesso comprovado do enxerto nas décadas de 1870 e 1880, a tarefa de “reconstituição” da maioria das vinhas francesas começou assim como um pouco por toda a europa.

Em 1907/1908, iniciou-se o processo de regulamentação oficial de várias denominações de origem portuguesas.

 

Hoje

Os vinhos portugueses são o resultado de uma sucessão de tradições introduzidas em Portugal pelas diversas civilizações que por aqui passaram.

A vastíssima quantidade de castas nativas (quase 300) permite produzir uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. O guia The Oxford Companion to Wine descreve o país como um verdadeiro “tesouro de castas locais”.

A qualidade e carácter único dos seus vinhos fazem de Portugal uma referência entre os principais países produtores, com um lugar destacado e em crescimento, entre os 10 principais produtores.

 

A história trouxe os vinhos portugueses até ao destaque que ocupa hoje, em particular o Alentejo. É uma das maiores regiões vinícolas de Portugal, com cerca de 22.000 hectares, correspondendo a dez por cento do total de vinha de Portugal. Região quente e seca do sul, é dominada por extensas planícies de solos pobres. As muitas horas de sol e as temperaturas muito elevadas no Verão permitem a maturação perfeita das uvas.

A cultura da vinha na região remonta à presença romana, após a fundação de Beja, entre 31 e 27 a. C.. A vinificação tradicional da região é herdeira dos processos Romanos. Nos anos 1980 o Alentejo foi palco de uma vasta modernização da produção vitivinícola, com inúmeros investimentos, novos produtores e cooperativas, resultando na demarcação oficial da região em 1988 e no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.

Nos vinhos alentejanos pontuam as castas Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, (castas presentes no MR Tinto) resultando em tintos encorpados, ricos em taninos e aromas a frutos silvestres. As castas brancas são, por exemplo, a Antão Vaz e a Arinto, resultando em vinhos brancos geralmente suaves, com aromas a frutos tropicais.

Apresenta também uma elevada produção de Vinho Regional, que permite a inclusão de outras castas, como Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay.

Atualmente é a região com maior crescimento de Portugal.

As grandes amplitudes térmicas sentidas em Arraiolos, são a origem de uma acidez muito característica e muito sentida nos vinhos produzidos no Monte da Ravasqueira. O projeto de vinhos do Monte da Ravasqueira surge nos anos 90 com um ADN de fusão da tradição com a inovação, procurando produzir vinhos de qualidade distintiva que aliasse o melhor do velho mundo às técnicas do novo mundo.

No panorama internacional o Vinho português ganha destaque nos últimos anos. Já não somos apenas sinónimo do Douro e do Vinho do Porto. Vivemos de um país que oferece condições únicas para a produção de vinhos de qualidade. Vivemos num país de consumidores informados e conhecedores de vinhos. Vivemos num país que leva o vinho como bandeira sempre que atravessa a fronteira. Nós acreditamos que isso é o que torna o vinho português único.

 

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